Relatório Reconciling Food Security and
Bioenergy: Priorities for Action (Conciliando a Segurança
Alimentar e a Bioenergia: Prioridades para Ação) mostra que metas de produção
de biocombustíveis, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável podem ser
alcançadas simultaneamente. As informações foram divulgadas dia 14 de junho por
uma equipe internacional e multidisciplinar de especialistas de dez
instituições de pesquisa em sete países.
O documento
identifica medidas baseadas em conhecimento científico para mostrar que a área
disponível não é um fator limitante para produção simultânea de alimentos e
bioenergia no mundo. Entre as recomendações estão a adoção de estratégias para
lidar com fatores locais de risco; engajamento de populações locais; estímulo à
compatibilidade da coprodução de alimentos e bioenergia; adoção de culturas
flexíveis e planejamento para diversificar mercados locais com aproveitamento
de resíduos como palha e bagaço de cana, por exemplo.
“É um erro
ignorar os custos e benefícios dos biocombustíveis com base em modelos globais
ou afirmações generalizadas. É essencial trabalhar com dados confiáveis que não
têm sido levados em conta nos debates que envolvem alimentos, biocombustíveis e
clima”, disse Keith Kline, do Instituto de Ciência da Mudança do Clima do
Laboratório Nacional Oak Ridge (ORNL, da sigla em inglês) e autor principal do
relatório publicado na revista Global Change Biology – Bioenergy.
O estudo
foi coordenado pelo ORNL, ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos,
e teve participação da coordenação do programa da Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado de São Paulo (Fapesp) de Pesquisa em Bioenergia (Bioen).
Outras
medidas propostas são o apoio à implantação de unidades de produção com uso
múltiplo, para aumentar o suprimento de biomassa sustentável; gerenciamento adaptativo
dessas unidades; comunicação pública sobre os objetivos, obstáculos e
oportunidades da coprodução para lidar com necessidades locais; e a colaboração
em programas locais de desenvolvimento.
“Uma parte significativa da energia de um país pode ser fornecida por
biomassa ao mesmo tempo em que a produção de alimentos é aumentada”, disse
Glaucia Souza, do Instituto de Química (IQ) da USP e membro da coordenação do
programa Bioen. “O programa de etanol de cana do Brasil demonstrou, ao longo de
40 anos de monitoramento, aprendizado e adaptação, que é possível conciliar o
aumento de incentivos para restauração da terra e serviços ecossistêmicos com o
aumento da segurança alimentar e redução da pobreza.” A indústria do etanol de
cana no Brasil é responsável por 4,5 milhões de empregos, melhora condições de
subsistência no País e promove a infraestrutura e desenvolvimento rural.
O
zoneamento agroecológico desenvolvido em resposta às preocupações de
sustentabilidade de biocombustíveis no Brasil tem influenciado outros setores
agrícolas e ajudou a proteger a biodiversidade e as florestas, recursos
importantes para a produção sustentável de alimentos em áreas rurais.
De acordo
com o relatório, o desenvolvimento de uma economia de base biológica
sustentável, conhecida como bioeconomia, é uma parte fundamental das
estratégias nacionais para aumentar a segurança energética e reduzir as emissões
de gases de efeito estufa.
O relatório
também destaca que investimentos em pesquisa e no desempenho de sistemas de
produção de base biológica para a aumentar a segurança alimentar e o
abastecimento de energia podem atenuar situações de risco.
Participaram
da elaboração do relatório pesquisadores ligados ao Centro de Política
Ambiental do Imperial College London, no Reino Unido; IQ/USP e Programa Fapesp
de Pesquisa em Bioenergia (Bioen); Universidade de Twente, na Holanda;
Instituto de Ingeniería Rural (INTA), na Argentina; Stockholm Environment
Institute (SEI África), no Quênia; Bureau of Energy Efficiency (BEE Energy),
agência ligada ao governo da Índia; e do Banco Mundial, em Washington DC,
Estados Unidos.
Extraído de
Portal Eco Debate
Fonte Jornal
da USP