O Brasil é
o único produtor do mundo de carvão vegetal para o setor siderúrgico. Para
discutir como usá-lo de maneira sustentável e sem agredir o clima,
representantes dos ministérios do Meio Ambiente (MMA), da Indústria, Comércio
Exterior e Serviços (MDIC) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações
(MCTIC), do Governo de Minas Gerais, do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD) e parceiros locais reuniram-se, nesta quinta-feira
(23/06), em Belo Horizonte, no primeiro Seminário de Ações do Projeto
Siderurgia Sustentável.
O evento
apresentou iniciativas para os setores siderúrgico, privado e acadêmico de
Minas Gerais, onde o projeto deverá atuar como piloto até 2019. A intenção é
proporcionar um modelo de carvão vegetal sustentável para replicação em outros
estados do Brasil e em outros países por meio da cooperação Sul-Sul.
A intenção é
disseminar a medida, também, em outras áreas de produção. “O tema é de uma
transcendência que não se restringe ao setor de siderurgia, mas que poderá nos
trazer lições de boas práticas para ampliarmos essa discussão a diversos outros
setores”, ressaltou Everton Lucero, indicado para o posto de secretário de
Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA.
LEVANTAMENTO
O projeto
atuará, primeiramente, no setor de ferro-gusa, aço e ferro-ligas de Minas
Gerais para fazer um levantamento das tecnologias verdes de produção do carvão
vegetal no Brasil. “Queremos englobar também as pequenas e médias siderurgias,
para que todos estejam alinhados com um modelo sustentável”, explicou a oficial
de programa da unidade de desenvolvimento sustentável do PNUD, Marina Ribeiro.
O diretor de
Mudanças Climáticas do MMA, Adriano Santhiago, afirmou que o projeto deve ser
um incentivo para o segmento, não uma barreira. “Por isso, o setor privado é
fundamental”, analisou. “Precisamos do financiamento para que o projeto ganhe
escala e possamos fazer uma real transformação no setor.”
QUALIDADE DE VIDA
Para a
adoção de um modelo sustentável de produção do carvão, é necessário levar em
consideração fatores como a qualidade de vida e de trabalho dos carvoeiros e
questões sociais e de gênero. Assim, o projeto atuará na capacitação dos
profissionais de siderurgia e dos carvoeiros, com foco no trabalho digno para
todos.
O material
produzido pelas siderurgias deverá ser proveniente de eucalipto de
reflorestamento. “O projeto também é importante para o combate ao desmatamento
da vegetação nativa, especialmente a mata atlântica”, justificou o
secretário-adjunto de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD) de
Minas Gerais, Germano Vieira.
Além das
siderúrgicas, o projeto busca parcerias com o setor acadêmico para realizar
pesquisas de aperfeiçoamento tecnológico e para desenvolver uma plataforma
digital para medir e relatar as emissões de carbono do setor no Brasil. O chefe
da assessoria de relações internacionais do Governo de Minas Gerais, Rodrigo
Perpétuo, destacou a importância da participação desses parceiros: “Agradeço ao
setor privado e à academia, fundamentais para a implementação desse projeto.”
Extraído de
Portal Ministério do Meio Ambiente
Do Pnud