A criação
de incentivos econômicos e de inovação tecnológica pode contribuir para ampliar
a oferta de energia renovável e a geração de empregos, sobretudo para a parcela
mais jovem da população, avalia o empresário americano Arthur Haubenstock.
Vice-presidente para Assuntos Governamentais e Regulatórios da 8minutenergy
Renewables, empresa que ocupa o terceiro lugar na produção de energia solar nos
Estados Unidos, ele participou nesta terça-feira (28) de audiência pública na
Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC).
O empresário falou também sobre a
política energética do estado da Califórnia, que pretende aumentar a
participação da energia solar até 2030.
— Os investidores estão
entusiasmados, o público também, à medida que os custos caem. A energia solar
está ganhando leilões. No Texas, está se tornando uma commodity, competindo com o gás natural e
ganhando em preço. A energia solar está se tornando cada vez mais competitiva,
os preços vão cair ainda mais, assim como o dos celulares e computadores —
declarou Haubenstock.
Nova
matriz
O empresário disse que a questão
ambiental não influenciou diretamente a Califórnia na adoção da energia solar.
Mas a crise energética que atingiu o estado norte-americano em 2001, gerando
restrições no fornecimento de energia e de gás natural, fomentou investimentos
no setor.
— Houve manipulação do mercado e
apagões. A Califórnia dependia do gás natural. Decidiu-se que a melhor maneira
era diversificar o fornecimento de energia e usar a energia eólica e solar, para
aumentar a sua matriz energética, e para que ninguém conseguisse aumentar o
preço da energia — afirmou.
De 2002 a 2008, informou, houve
menos oferta de energia renovável implementada, mas a crise econômica
possibilitou a oferta de benefícios econômicos para a geração de energia solar
nos Estados Unidos. Em 2010, a capacidade instalada era pequena. Em 2016, o
investimento expandiu-se em resposta às vantagens fiscais implementadas pelo
governo.
— O importante é que os incentivos
não tenham um prazo muito específico, porque isso atrapalha a evolução da
indústria. Você tem um boom e
depois uma parada brusca. Estamos escalonando esse processo, para interrompê-lo
de forma gradual.
Mercado
consumidor
A matriz solar responde por 6,1% da
energia gerada no território norte-americano, disse Haubenstock. Ele
considera que a adoção dos incentivos adequados e um mercado consumidor
apropriado contribuirão para a expansão dessa matriz no Brasil, assim como nos
EUA.
— Geramos muitos empregos, a mão de
obra não muito qualificada foi treinada para trabalhar. As mudanças são
rápidas. A combinação de incentivos econômicos criou ímpeto de consumo para a
produção de células fotovoltaicas e outras tecnologias para a produção de
energia renovável. Os investimentos em fabricação reduzem custos, os preços
reduziram e vão reduzir ainda mais, desde que a demanda continue — afirmou.
Haubenstock disse ainda que a
combinação entre hidroelétricas e usinas de energia solar ou eólica permite a
utilização eficiente das redes já existentes.
— A energia solar, de dia, permite à
hidro poupar água, quando necessário. Há empresas que combinam células
fotovoltaicas com outras tecnologias. Todas as tecnologias podem trabalhar
juntas. Usinas solares e eólicas são vantagem para centros rurais. Na
Califórnia, inovações se uniram para criar uma rede mais sustentável, mais
barata e mais verde.
Na Europa, avaliou, o
desenvolvimento da energia solar foi ditado por razões geopolíticas, para
reduzir a dependências do gás natural fornecido pela Rússia. O empresário
ressalta que a China também aumentou a produção de células solares, e que os
Estados Unidos tiveram a oportunidade de aproveitar o baixo custo desses
equipamentos.
Brasil
Relator da comissão mista, o senador
Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) disse que o Brasil já iniciou esforços para
adotar energias renováveis. Ele destacou o compromisso assumido pelo governo
federal de ter, até 2030, pelo menos 23% da energia produzida no país
proveniente dessas fontes.
Já a senadora Regina Sousa (PT-PI)
disse não entender a demora do Brasil em investir na geração de energia solar.
— O investimento é alto, mas
compensa. Não entendo por que o governo não investe nesses projetos em creches
e escolas, para funcionar mais rápido — concluiu.
Extraído de
Agência Senado
Por Paulo
Sérgio Vasco